16 de março de 2010

Perdida.


Eu acordo. É mais um dia e a mesma rotina. Por que nós sempre tomamos a vida pelo lado mais chato, e depois reclamamos de nossas próprias escolhas? Me sinto perdida nessa vida de tantos encontros. Encontros bons, mas também encontros ruins. Meu coração tenta se adaptar a passar a não ficar mais indignado por qualquer coisa, e a não depender tanto assim de outro coração. Às vezes ter os sentidos de um ser humano é a pior coisa a ter. Queria mesmo é dormir e viajar em meu sono, me desligar ao menos um segundo dessa vida e mergulhar no desconhecido. No desconhecido que me dá tanto medo. Às vezes eu gostaria de poder andar sem rumo. Sem me importar com nada. Perdida. Totalmente perdida. Sem que ninguém pudesse me achar. Andando por lugares onde tivessem florestas fechadas, um lugar onde – Deus! – eu pudesse pensar comigo mesma, sozinha. Entender meus instintos. Minhas teias de confusões. Às vezes precisamos de alguém. Às vezes a última coisa que queremos é alguém. Já vi tanta coisa. E apesar da pouca idade, já entendi bastante coisa. Quantas vidas passam diante dos meus olhos. Quantos sons, quantas palavras, tudo isso rodeando-me. Me perco por completo em minha mente. Uma verdadeira encruzilhada. Como se eu soubesse do que preciso, mas não sei por onde começar. Às vezes eu desejo com todas as minhas forças voltar ao meu tempo de criança, onde eu gostaria de encontrar, embaixo de uma árvore, um amuleto. Um amuleto que me direcionasse para onde eu devo ir e nos braços de quem deveria estar. Sem erros, sem contradições. Apenas sentir minhas veias pulsando e meu coração dizendo que é ali que eu deveria estar. 

Kamilla de Muinck.

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